• UM DIA OS BRASILEIROS SERÃO FELIZES!

    UM DIA OS BRASILEIROS SERÃO FELIZES!

    Temos a esperança que um dia o povo brasileiro fruirá de todos os direitos estendidos na carta maior e assim viverá com dignidade, em uma sociedade justa e solidária, sem pobreza, sem preconceitos e sem discriminações, e cada filho desta terra será tratado e julgado apenas pelo teor e inteireza do seu caracter.

    Temos a esperança que um dia neste imenso território, desde o Oiapoque até o Chui, desde os contrafortes da serra de Contamana até o Cabo se Santo Agostinho, todos os brasileiros que desejarem viver no campo, livres da opressão feudal, terão acesso à uma pequena gleba, onde possam plantar a sua roça, criar gado, levantar uma casinha com um coqueiro ao lado, dispor de água , energia elétrica., telefone e de outros apetrechos da época , escola para os filhos , proteção à saúde e no topo disso tudo, a garantia de viver em segurança e confiantes no futuro.

    Temos a esperança que um dia, todos os brasileiros, sem acepção de origem, posição social e econômica , sentar-se-ão simbolicamente à mesa da confraternização , sem rancores e sem medo, conciliados e fraternos para entoar, com alegria, o Hino Nacional, sentindo no âmago da alma, de coração aberto, o real significado da sua letra: “Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada, Brasil”.

  • Nossa burra Maroca

    Nossa burra Maroca

    Os Semoventes do Meu Pai

    No Engenho Conceição, na Serra do Pirauá, pertencente a meu pai, chamado Seu Toinho de Conceição, todos os animais eram tratados como seres humanos.

    Ali não era permitido o uso de chibata e de espora. Um animal doente era recolhido à estribaria, onde recebia o melhor tratamento: capim verde bem picado, milho e água pura adoçada com mel. Seu Toinho era o veterinário. Cada animal era chamado pelo seu nome: Maroca, Sabiá, Dengoso, Macaco, Brilhante, Tupi, Estrelinha, Rosilho e tantos outros.

    Em 1937, Seu Toinho arrendou o Engenho Conceição e fomos morar em Campina Grande, onde poderíamos continuar a educação dos onze filhos. E assim, partimos todos para aquele pico do Planalto da Borborema.

    O arrendatário, José Leitão de Melo, senhor da melhor estirpe, cristão católico imaculado, resolveu mostrar que também tratava dos animais com maior esmero. E por isso, mandou o velho morador, Serafim, à Campina Grande, montado na burra Maroca sem chibata e sem espora. E qual não foi a nossa surpresa quando vimos chegar, ao meio dia, o velho Serafim, antigo morador do Engenho, montado na burra, no meio de dois caçoais com laranjas colhidas do pomar que circundava a casa grande do engenho.

    Ajudamos o descarrego, água foi dada a burra e minha mãe logo chamou o velho Serafim para almoçar. Ao entardecer a burra foi levada para pernoitar no cercado de um amigo e assim, no dia seguinte, descansada, retornar ao engenho na Serra do Pirauá.

    No dia seguinte, bem cedinho, Serafim chegou à fazenda onde a burra pernoitou e com surpresa verificou que ela havia aberto a porteira e fugido. O arrendatário do engenho foi avisado e também anúncios foram publicados na imprensa local. Ninguém viu o procurado animal. Tudo debalde.

    Decorridos dois anos ou mais, o reverendo João Clímaco Ximenes, pastor da Igreja Congregacional de Campina Grande, a maior do Brasil, admirado pela sua capacidade de liderança e irredutível disciplinador, na ausência do seu motorista efetivo, convidou meu pai para conduzi-lo no Ford 29 à vila de Galante, onde visitaria a congregação local.

    Após a escola dominical e o culto, fomos convidados para almoçar um bom cozido bovino na casa grande de uma fazenda, localizada na ponta da rua. Sentados no alpendre daquela casa, a conversa versava em torno das atividades daquele campo evangélico. Como era de praxe, gente da minha idade ficava calada. Nem um piu.

    Eis que, de repente, pulei do banco, corri para o terreiro e gritei: “Lá vem um vaqueiro, no cimo daquele monte, montado na nossa burra Maroca.” Em face da distância todos ali ficaram admirados com a minha capacidade de reconhecer o animal.

    Provado ao fazendeiro que se tratava mesmo da burra Maroca, conforme indicava o ferro (AJS), ele liberou o retorno dela ao Engenho Conceição. O arrendatário, José Leitão de Melo, foi avisado e logo mandou o mesmo Serafim buscar a burra Maroca.

  • IMPORTANTE NÃO É O NOSSO DESTINO, PORÉM O QUE DELE FAZEMOS

    IMPORTANTE NÃO É O NOSSO DESTINO, PORÉM O QUE DELE FAZEMOS

    MIGUEL DE CERVANTES,

    “ANTES DE TUDO UM FORTE”

    No centro da Espanha, a região chamada La Mancha, parece vazia. Mas para quem leu “Don Quixote de la Mancha”, visualiza naquele lugar as 600 e tantas personagens que aparecem na maior obra literária de todos os tempos.

    Ali ainda estão os moinhos de ventos que o cavaleiro tomou por gigantes e contra eles investiu montado em seu velho rocim.

    “Lutar contra moinhos de vento” dizemos ainda hoje quando alguém, com ardor ataca um inimigo imaginário. Este incidente é apenas um entre centenas de outros narrados naquela bíblia de humanismo e também de sabedoria filosófica.

    Miguel de Cervantes nasceu pobre em Alcalá de Henares, perto de Madrí. Seu pai era um boticário endividado e por isso foi preso, deixando Miguel e suas duas irmãs, Andrea e Luiza, passarem fome. Fugindo da pobreza, aos 22 anos, Miguel resolveu assentar praça no exército espanhol, aquartelado na Itália. Assim passou, pela primeira vez em sua vida, a comer regularmente e a vestir-se bem e limpo.

    Os anos passados na caserna dão colorido a muitas páginas da sua monumental obra e na velhice, as recordações do bom vinho italiano e da companhia de belas mulheres.

    E conheceu também a guerra. Em 1571, uma poderosa esquadra turca do Sultão Selim II, singrava o Mediterrâneo para invadir a Itália e destruir Roma.

    A armada espanhola sob o comando de D. João d’Áustria, meio-irmão de D.Felipe II partiu para deter os navios turcos. Num desses navios, estava o jovem Miguel de Cervantes.

    Em Lepanto, na costa grega, deu-se o confronto entre as duas esquadras. Morreram 8.000 cristãos e 25.000 turcos Alguns infantes disseram ter visto a Nossa Senhora do Socorro ajudando os feridos e entre eles, Miguel de Cervantes que além de atacado de malária, levou um pipoco na caixa dos peitos e teve o braço esquerdo estraçalhado com um tiro a queima-roupa. Assim mesmo abordou um navio turco e lutou sem cessar.. Foi a hora maior da Espanha e a mais gloriosa de Cervantes.

    Em 1580 beijou novamente o solo espanhol e descobriu como o mundo esquece depressa um inválido da guerra. Passou, então a escrever a sua novela, na qual Dom Quixote e Sancho Pansa são os principais personagens e refletem o que somos todos nós: Ora quixotescos com o pé na tábua, ora sensatos com o pé no chão, como seu fiel escudeiro.

    E ainda nos ensina que importante não é o nosso destino, porém o que dele fazemos.

    Narcides Araujo – leitor inveterado

  • AINDA BEM QUE A VERGONHA NÃO NOS MATA

    AINDA BEM QUE A VERGONHA NÃO NOS MATA

    DUQUE DE CAXIAS (1803-1880)

    Luis Alves de Lima e Silva, patrono do Exército Brasileiro, foi Ministro da Guerra e chefe do Gabinete Ministerial. Participou, como capitão, da guerra Cisplatina entre o Brasil e a Argentina (1825/28) pela posse da banda oriental, o Uruguai. Em 1839, comandou a Frente Pacificadora do Norte, que debelou a Balaiada no Maranhão. É então agraciado Barão de Caxias, cidade onde derrotou os revoltosos. Em 1842, é encarregado de debelar a Guerra dos Farrapos nas terras gaúchas. Com o seu sucesso em fazer um acordo de paz, é elevado a conde e escolhido senador em 1846, pela província do Rio Grande do Sul.

    Em 1864, tem início a Guerra do Paraguai, o maior e mais sangrento conflito da história sul americana, tendo de um lado a tríplice aliança formada pelo Brasil, Argentina e Uruguai e do outro, o Paraguai. Em 1869, os brasileiros entram em Assunção.

    Após essa vitória, como informa o historiador Boris Fausto, “doente, desejando a paz, pois a continuação da guerra era motivada apenas por uma política de destruição, Caxias retirou-se do comando. Foi substituído pelo Conde D´Eu, marido da Princesa Isabel, herdeira do trono imperial. O Conde continuou a guerra por mais um ano, somente dando por encerrado o confronto em 1870, com a morte de cerca de 90% da população masculina paraguaia. A última batalha deu-se contra um pequeno exército formado de velhos, meninos e enfermos.

    O texto abaixo é uma mensagem do Duque de Caxias ao Imperador D. Pedro II, encontrada no Museu Mitre, em Buenos Aires, em que o general brasileiro, antevendo o verdadeiro genocídio que resultaria da continuação da guerra – e que de fato veio a ocorrer – roga ao Imperador que o demita do cargo de comandante das tropas imperiais, o que somente vem a acontecer em 1869.

    Eis a carta do pedido de demissão do comando:

    Majestade,

    López tem o dom sobrenatural de magnetizar os soldados, infundindo-lhes um espírito que não se pode explicar suficientemente com as palavras: o caso é que se tornam extraordinários, longe de temer o perigo, enfrentam-no com um arrojo surpreendente, longe de economizar sua vida, parece que buscam com frenético interesse a ocasião de sacrificá-la heroicamente, e de vendê-la por outra vida ou por muitas vidas de seus inimigos. Tudo isso faz com que, ante os soldados paraguaios, não sejam garantias as vantagens numéricas, as vantagens de elementos e as vantagens de posição: tudo é fácil e acessível para eles. E eis aqui o que dá a lógica de que é impossível vencer a López, e que é impossível o triunfo da guerra contra o Paraguai.

    Como haveríamos conseguido vencer a guerra, fácil é saber-se, tomando por exato o infalível antecedente do tempo que temos empregado nessa guerra, os imensos recursos e elementos esterilmente empregados nela; os muitos milhares de homens esterilmente também sacrificados nela; em uma palavra, os incalculáveis e imensos sacrifícios de todo gênero que ela nos custa; e se tudo isto não tem dado por resultado mais que nossa abatida situação, quanto tempo, quantos homens, quantas vidas e quantos elementos e recursos precisaremos para terminar a guerra, isto é, para converter em fumo e pó toda a população paraguaia, para matar até o feto do ventre da mulher, e matá-lo não como a um feto, mas como a um adail. E o que teríamos conseguido, também é difícil dizer: seria sacrificar um número dez vezes maior de homens do que são os paraguaios, seria sacrificar um número dez ou vinte vezes maior de mulheres e crianças do que são as crianças e mulheres paraguaias; seria sacrificar um número cem mil vezes maior do que toda classe de recursos do que são os recursos paraguaios; seria conquistar não um povo, mas um vasto cemitério em que sepultariam- os no nada toda a população e recursos paraguaios e cem vezes mais a população e recursos brasileiros. E que seríamos sobre um vasto cemitério? Seríamos os coveiros que teriam de enterrar as cinzas de nossas vítimas, que responder a Deus e ao mundo os seus clamores.

    A paz com López, a paz, Imperial Majestade, é o único meio salvador que nos resta. López e invencível, López tudo pode, e sem a paz, Majestade, tudo estará perdido e antes de presenciar esse cataclismo funesto, estando eu à frente dos exércitos imperiais, impetro a V. Majestade a especialíssima graça de outorgar-me minha demissão do honroso posto que V. Majestade me tem confiado.

    Beijo a imperial mão de V. Majestade.

    O Marquês de Caxias

    Meus Comentários

    Naquele tempo, última parte do século 19, o mundo era inteiramente dominado pelo Império Britânico. A bandeira britânica era fincada em cada lado de todo e qualquer estreito ou ponto estratégico com exceção do Estreito de Berring, lá nas águas geladas do extremo pólo norte, isto porque, de um lado estava a Rússia e do outro, os Estados Unidos da América. No resto tremulava imponente e ostensivamente a bandeira de sua Majestade Imperial Britânica.

    O Belzebu convenceu a Rainha Vitória que o mundo todo pertencia ao Império Britânico e que este detinha exclusivamente o direito de fabricar coisas, mormente tecidos de algodão. Consequentemente, a Coroa Imperial Britânica, amparada em sua força naval, ordenou que a Coroa Portuguesa destruísse na marreta, todos os estabelecimentos industriais existentes na colônia, excetuando as destilarias de cachaça e fábricas do tecido chita que era usado pelos escravos.

    O Paraguai com a sua população altamente alfabetizada e bem alimentada, estaleiros onde construíam seus navios, siderurgia avançada, fabricas de tecidos e tantos outros monumentais empreendimentos, mandou seus navios abarrotados de mercadorias, descer o Rio Paraná, ultrapassar o estuário do Prata, singrar os mares e vender as mercadorias em concorrências com as britânicas. Por isso, sofreu impiedosamente a fúria destruidora daquele império que utilizou o Brasil como pau mandado na triste tarefa de destruí-lo.

    Ainda bem que a vergonha não nos mata.

    Narcides Araújo – pesquisador da historia da América Latina (sem preconceitos)

    P.S.: Sobre a guerra do Paraguai, é importante ler “Genocídio Americano: Guerra do Paraguai, de Julio José Chiavenatto, Editora Brasiliense.”

  • Álcool Combustível

    As usinas nordestinas desenvolveram na década de 30, um programa de utilização do Álcool Anidro como combustível de veículos a motor de explosão. O empreendimento prosseguia favoravelmente e pelas estradas empoeiradas desta região transitavam os famosos modelos T da Ford, o robusto caminhão Chevrolet Gigante e outros veículos da época. Todos movidos a álcool anidro. Lá estavam nas praças do Recife e de tantas outras cidades do Nordeste, as bombas do álcool combustível.

    A aceitação do novo combustível prosseguia aceleradamente até despertar a ira da então, poderosa Standard Oil Company, que logo engendrou pronta ação demolidora. Para tanto, maquinou com a companhia inglesa, “ The Great Western Company,” elevar o frete ferroviário do álcool a nível proibitivo,e assim,torná-lo não competitivo com a gasolina de fora. A artimanha deu certo e logo mais, restavam apenas as bombas desativadas.

    No início da década de 80, com muito alarde, surgiu o plano denominado “Pro-Álcool “ logo derrubado quando o preço do petróleo desabou . Sem incentivos, o mercado sepultou o plano. Há cálculos que o tesouro nacional perdeu mais de cinco bilhões de dólares com destiladores falidos. Cerca de 50% das destilarias foram abandonadas.

    O cenário atual é bem diferente – esgotamento das reservas, comoção em áreas de produção e a premente necessidade de diminuir a poluição do planeta. Tudo sinaliza que, desta vez, a coisa vai. Decisão governamental de substituir o álcool hidratado pelo álcool anidro significaria deixar de transportar água. Isto ajudaria o avanço do nosso bio-combustível.

    Cabe, contudo, uma advertência: A expansão dos canaviais não deve contribuir para maior êxodo rural e conseqüentemente agravar o desarranjo social. Os indicadores da qualidade de vida em Sapé, PB e Ribeirão Preto, SP, onde o farfalhar dos canaviais é o som predominante, é um diagnóstico doloroso e incontestável. Que o Pro-Álcool não se torne a anti-reforma agrária.

  • A Crise da Democracia Brasileira

    A Crise da Democracia Brasileira

    A democracia brasileira está em profunda crise e para consertá-la eis o que nos ensina o Prof. Afonso Arinos de Melo Franco, deputado federal por quatro legislaturas e o maior constitucionalista de então:

    “A democracia não pode subsistir sem a permanência dos seus valores primaciais, de caráter teórico, como também dos seus instrumentos de ação específicos, de caráter prático.

    A democracia brasileira está em profunda crise e para consertá-la eis o que nos ensina o Prof. Afonso Arinos de Melo Franco, deputado federal por quatro legislaturas e o maior constitucionalista de então:

    “A democracia não pode subsistir sem a permanência dos seus valores primaciais, de caráter teórico, como também dos seus instrumentos de ação específicos, de caráter prático.
    Entre estes se acham, indubitavelmente, os partidos políticos diferentes e coexistentes dentro do Estado.

    É, com efeito, ilusão ou hipocrisia – lembra Kelsen – sustentar que a democracia é possível sem partidos políticos. A democracia é necessariamente e inevitavelmente um Estado de partidos.
    Porque, como recorda outro ilustre pensador, Benedetto Croce, dentro do Estado democrático não se descobriu forma de arregimentação das opiniões e interesses individuais, no propósito de assegurar-lhes influência na ação do governo, senão através de organizações coletivas, que disciplinem tais opiniões e interesses.

    As necessidades econômico-políticas se organizam democraticamente em associações, corporações ou sindicatos.
    As outras, de natureza ético-politicas ou filosófico-políticas, se arregimentam dentro dos partidos. Daí não há saída. E, como ainda lembra Croce, o sonho do partido político único, por mais bem intencionado e honesto, tem o inconveniente de se referir a algo que não é nem partido nem político.

    Procuramos traçar o panorama da evolução dos partidos políticos no Brasil, tanto no campo da Historia como no do Direito. E não há dúvida que esta evolução coincide com a da própria democracia, no nosso país.

    Manter a democracia significa, pois, para o Brasil, cultivar e robustecer a instituição dos partidos, que tão dificilmente se afirmou e progrediu.

    Mas cultivar e robustecer os partidos implica, que as elites dirigentes tenham compreensão nítida e honesta dos seus altos objetivos e conhecimento aprofundado do seu complexo mecanismo.

    O problema das elites, no Brasil, não é apenas o de educar literária e cientificamente o povo, mas, também, o de se educarem a si próprias politicamente. E disto, elas se têm mostrado muitas vezes, incapazes.

    Todo brasileiro consciente, homem ou mulher, tem hoje o dever de se integrar em um partido político, como prova da aquisição verdadeira de sua cidadania. O partido é o lar cívico que deve existir sempre, ao lado do lar doméstico.

    O Brasil só se organizará democraticamente no dia em que os elementos mais esclarecidos da sua população se compenetrarem devidamente destas verdades e puderem fazer dos seus partidos os instrumentos, que realmente são, insubstituíveis na realização das tarefas do Estado.

    Instrumentos que, na lição de Charles Merriam, operam permanentemente, em tempos de eleição e fora deles, criticando e conduzindo a ação dos governos, educando civicamente as massas e servindo como intermediários autorizados entre governantes e governados.”

    Eu mesmo, ainda acrescentaria consoante a Teoria Geral de Estado, disciplina que deveria ser ensinada em todas as escolas deste país: NAÇÃO É UM POVO POLITICAMENTE ORGANIZADO e só haverá organização política de um povo por meio de partidos políticos fortes e ideologicamente definidos. E também, mediante órgãos e associações representativas dos diversos setores da sociedade.

  • JOSUÉ DE CASTRO – 100 Anos

    JOSUÉ DE CASTRO – 100 Anos

    Josué de Castro completaria 100 anos em 5 de setembro de 2008.

    Lembro-me de suas vibrantes conferências no Teatro Santa Isabel. Trago sempre a lume o que ele disse em uma daquelas memoráveis palestras: “estamos divididos em duas classes, os que morrem porque comem demais e os que morrem de fome.” E acrescentou: “os empanturrados vivem com medo daqueles que não têm o que comer.” E era nesse diapasão que ele prosseguia empolgando a sua platéia com o brilhantismo de suas convincentes narrações…

    Da minha pequena biblioteca, anotei os seguintes livros de sua autoria:

    – O Problema da Alimentação no Brasil;
    – Geografia da Fome;
    – Geopolítica da Fome;
    – O Drama Universal da Fome;
    – Sete Palmos de Terra e um Caixão;
    – Documentário do Nordeste; e
    – Homens e Caranguejos (O Ciclo do Caranguejo).

    Quando lançado, Geopolítica da Fome foi considerado o mais importante livro sobre temas econômicos e sociais. Por isso recebeu o prêmio Franklin Delano Roosevelt nos EUA e o Prêmio Internacional da Paz na União Soviética. Na França, foi agraciado com a Grande Medalha da Cidade de Paris. No Brasil, recebeu o “Pandiá Calogeras” e o “José Veríssimo”.

    A Teoria Malthusiana não sobreviveu às formulações científicas do grande Josué de Castro.

    Eleito presidente da FAO, órgão da ONU que orienta a Agricultura e Alimentação no mundo, tornou-se amigo de todos os governantes de então e mui especialmente do General Charles de Gaulle.

    Longe do poder econômico, sempre que participava como candidato a deputado federal por Pernambuco, era eleito com a maior porção de votos e sempre das zonas eleitorais mais expressivas da capital.

    Em 1964 havia renunciado ao seu mandato de parlamentar federal a fim de assumir importante cargo na Europa Ocidental quando ocorreu o golpe militar aqui no Brasil. Foi então cassado e proibido de retornar à sua pátria. Era grande demais para ser contido. Assim triste, amargurado e deprimido, como soe acontecer com exilados, faleceu em Paris em 24 de setembro de 1974.

    O mundo o perdeu.

    Veja Josué de Castro na FAO em 1965 (clique no link abaixo)
    http://br.youtube.com/watch?v=DyMRTbUMuqM

  • A ÁGUA DA CHUVA É MAIS BARATA

    Atrevo-me afirmar que no Nordeste chove até demais. Falta apenas reflorestar, reter e distribuir as águas. A água da chuva não requer bombeamento, nem canalização. E onde há floresta chove e não falta água para as lavouras, criações e para o homem. Sem custosas transposições.

    Lembro-me da serra de Pirauá em Macaparana, onde nasci. Havia mananciais e riachos para todos os lados. Aquela cidade era a mais bem iluminada do Estado com a sua pequena hidroelétrica instalada no riacho Macapá. Naquele tempo prevalecia o bom senso dos fazendeiros e senhores de engenho que não permitiam a destruição de suas matas e mantinham os cafezais bem arborizados. A mata atlântica coroava as colinas e nos meses de frio a nevoa (é nevoa mesmo) encobria a paisagem.

    O meu avô, do Engenho Monte Alegre Velho, não permitia a derrubada de uma só arvore.
    Quando o forte vento de julho, derrubava uma, então ele mandava aproveitá-la. De uma feita, presenciamos repreender severamente um morador que cortara uma jovem árvore chamada “Baraúna”. O morador então disse: “Seu Chano, o senhor jamais usaria esta baraúna.” De pronto, meu avô respondeu: “Eu não, porém meus bisnetos, certamente. Eis aí como pensava um velho senhor de engenho que não estudara ecologia, mas tinha a alma ligada à terra que, para ele, também pertencia a sua descendência.

    Na Serra de Mascarenha, no vizinho município de São Vicente do Ferrer, o solo é, até hoje, permanentemente úmido pela abundância da água. É que ali, o resto de mata atlântica foi protegido pela ação do Estado. O então interventor, Agamenon Magalhães, que tinha profunda visão administrativa e social, por decreto, desapropriou a porção da mata atlântica ainda existente e mandou a policia protegê-la.

    O histórico exemplo daquele governante deveria induzir as administrações correntes a proteger as matas, reflorestar e reter as águas que correm para o mar. O maior problema nacional, a nosso ver, é a degradação do solo, a desertificação, e outros crimes ecológicos. O que herdarão as gerações futuras? Sem água não há vida.

    O manto verde atrai a chuva. A evidência disso está espelhada nas áreas ainda encobertas de matas que podemos ver em muitos municípios nordestinos onde de janeiro a dezembro a água é permanente. São os chamados brejos, verdadeiros oásis a atestar a viabilidade econômica do Nordeste e sua salvação.

    Na nossa memória está o murmurar dos riachos ao redor da casa grande do Engenho Conceição onde nascemos. Todas as dependências dali recebiam água potável por gravidade. Era só abrir as torneiras. Existiam pequenos criatórios. Os pomares frutificavam o ano todo. Ninguém passava fome. Era o verdadeiro “Fome Zero”.

    Cadê essas generosidades da natureza. O homem destruiu. Das serras verdejantes, só restam os campos estorricados e taperas desabitadas. “Impiedosamente, nem uma gota d’água cai do céu durante meses e meses” e nem brota da terra. Tudo está seco. Sem água e sem trabalho os camponeses se foram para as favelas engrossar a marginalidade e suas funestas conseqüências.

    Até quando, Oh Céus!

    Paulo em suas cartas às igrejas de seu campo de evangelização se revelava um ecologista e apregoava: “A terra é de Deus e tudo que nela há.” (Cor. 10, 26) O apóstolo ainda ensinava: “Não é possível receber a terra e seus frutos e não cuidar dela” (1 Cap. 10 ). E mais junto de nós, no tempo e no espaço, em linguagem simples, temos:

    OS CONSELHOS DO PADRE CÍCERO

    · Não toque fogo no roçado, nem na caatinga;
    · Não cace mais e deixe os bichos viverem;
    · Não crie o boi, nem os bodes soltos, faça cercado e deixe o pasto se refazer;
    · Não plante de serra acima, nem faça roçado em ladeira muito em pé, deixe o mato protegendo a terra para que a água não arraste e não se perca a sua riqueza;
    · Faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar a água da chuva;
    · Represe os riachos de cem em cem metros, ainda que seja com pedras soltas;
    · Plante cada dia, pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou outra árvore qualquer, até que o sertão todo seja uma mata só;
    · Aprenda a tirar proveito das plantas da caatinga como a maniçoba, a favela e a jurema; elas podem ajudar você a conviver com a seca;
    · Se o sertanejo obedecer a estes preceitos, a seca vai aos poucos se acabando, o gado melhorando e o povo terá sempre o que comer;
    · Mas se não obedecer, dentro de pouco tempo vai virar um deserto só.

  • AUSTRÁLIA – Exemplo para o Brasil

    AUSTRÁLIA – Exemplo para o Brasil

    O nome do país vem da denominação dada na época da descoberta, em latim ” terra australis” ou terra do sul, simplificado para Austrália.

    Tem em comum com o Brasil, a mesma latitude, mesmo clima, o mesmo tamanho, as duas maiores costas marítimas navegáveis do mundo e a maior cerca com 5.500 km de extensão e 20 m de altura. Os mesmos cultivos – cana-de-açúcar, abacaxi e banana – mesmos criatórios, e as estrelas do Cruzeiro do Sul na bandeira.

    Entre os contrastes: Dois terços do território daquela nação são desérticos e apenas 20 milhões de habitantes. A população de cangurus é o dobro da humana…

    A Austrália foi colonizada com a pior gente da metrópole, pois era o presídio do governo imperial. Um navio sucata ficava ancorado no porto de Tâmisa e servia de prisão temporária. A policia prendia assassinos, ladrões, pederastas, prostitutas e toda sorte de malandros e quando o navio estava lotado, despachava toda aquela escumalha das ruas de Londres com destino a colônia. Lá eram empurrados para a costa, onde poucos sobreviviam às intempéries, aos ataques dos aborígenes, de crocodilos, de cobras marinhas venenosas e de toda sorte de privações. Assim foi colonizada a Austrália.

    E o que resultou daquilo: O Índice de Desenvolvimento Humano de 2004, elaborado pelas Nações Unidos, classifica a Austrália em terceiro lugar entre 177 países, logo abaixo da Noruega e Suécia. O Índice de Crescimento Competitivo do mesmo ano, está em 14º lugar entre 104 países estudados. Detêm o primeiro lugar no mundo em assistência à população rural, por isso não há afavelamento. Tem força de trabalho altamente qualificada, instituições democráticas, harmonia social e padrão de vida invejável. Salário mínimo se situa entre os 10 maiores do mundo. Ali não há esmoleres, nem se pede gorjetas…

  • UM DIA OS BRASILEIROS SERÃO FELIZES!

    UM DIA OS BRASILEIROS SERÃO FELIZES!

    Temos a esperança que um dia o povo brasileiro fruirá de todos os direitos estendidos na carta maior e assim viverá com dignidade, em uma sociedade justa e solidária, sem pobreza, sem preconceitos e sem discriminações, e cada filho desta terra será tratado e julgado apenas pelo teor e inteireza do seu caracter.

    Temos a esperança que um dia neste imenso território, desde o Oiapoque até o Chui, desde os contrafortes da serra de Contamana até o Cabo se Santo Agostinho, todos os brasileiros que desejarem viver no campo, livres da opressão feudal, terão acesso à uma pequena gleba, onde possam plantar a sua roça, criar gado, levantar uma casinha com um coqueiro ao lado, dispor de água , energia elétrica., telefone e de outros apetrechos da época , escola para os filhos , proteção à saúde e no topo disso tudo, a garantia de viver em segurança e confiantes no futuro.

    Temos a esperança que um dia, todos os brasileiros, sem acepção de origem, posição social e econômica , sentar-se-ão simbolicamente à mesa da confraternização , sem rancores e sem medo, conciliados e fraternos para entoar, com alegria, o Hino Nacional, sentindo no âmago da alma, de coração aberto, o real significado da sua letra: “Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada, Brasil”.